Apostas Futebol_borajogar_Escândalo das apostas mancha futebol brasileiro.

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Desconfiança generalizada

O historiador Derê Gomes, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), prevê tempos difíceis na relação entre torcedores e jogadores. “Esse escândalo já está gerando uma desconfiança generalizada entre os torcedores e os jogadores dos seus times de coração, especialmente entre jogadores de times de menor expressão, que pagam salários mais baixos”, diz.

Qualquer falha, por menor que seja, passa a ser vista não como um erro, mas com a suspeita de que o jogador possa estar recebendo algum dinheiro. “Somente após o total esclarecimento dessa polêmica e punição dos envolvidos, essa desconfiança generalizada poderá dar lugar a uma relação saudável entre jogadores e torcida novamente”, avalia Gomes.

CPI no Congresso

O esclarecimento do caso está agora com o Congresso. O deputado Felipe Carreras (PSB-PE), que é o relator da CPI das Apostas Esportivas, afirmou, em declaração à DW, que quer “jogar luz nesse escândalo”, que ele chamou de o maior do futebol brasileiro.

Segundo ele, o objetivo é não somente revelar as engrenagens desse esquema, como também punir exemplarmente os envolvidos e promover uma legislação que coíba esse tipo de crime. “Vamos atuar para acabar com essa chaga em todas as divisões e, se necessário, em outras modalidades”, declarou.

Falta de regulamentação

Mas também fora dos círculos políticos e da Justiça procura-se os motivos do escândalo. Gomes vê uma razão na “falta de regulamentação econômica das casas de apostas, o que permitiu um crescimento exponencial e desregulado de dezenas de empresas do ramo, que hoje até mesmo são a maioria dos patrocinadores dos clubes”.

Além disso, com exceção das estrelas de grandes clubes, a grande maioria dos jogadores brasileiros de futebol é mal paga. Nas divisões inferiores, muitos mal recebem o mínimo para sobreviver. “A condição financeira de jogadores e árbitros é um facilitador para o aliciamento dessas pessoas para que cometam as fraudes nas partidas”, diz.

Segundo os dados mais recentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de 2016, 80% dos jogadores profissionais assalariados recebem até R$ 1 mil. Diante dessa situação, quem tem uma família para sustentar pode balançar diante de propostas imorais.

“Aqui cabe uma responsabilização da própria CBF”, cobra Gomes. Para ele, a entidade faz pouco ou mesmo nada pelo desenvolvimento de um equilíbrio econômico – e isso apesar de o futebol ser “a grande paixão nacional e movimentar bilhões de reais”.

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